De quarentena ou em isolamento social? Isto interessa-lhe.



Estar em casa 24 sobre 24 horas nestas circunstâncias traz desafios acrescidos que implicam disciplina, como não estar exposto a notícias constantes do Coronavírus nos canais informativos e nas redes


Não se pode, propriamente, dizer que foi insidioso, que veio de mansinho, dando tempo a cada um para se ajustar. Ainda que todos nós fossemos expostos há semanas às notícias da propagação da infecção SARS-CoV-2 (COVID-19), primeiro na China, depois para a Europa, a grande maioria só acordou para a pandemia há dias, quando já 120 países foram afectados e o número de pessoas infectados no nosso país cresce diariamente, actualmente a um ritmo de cerca de 40%. Da negação e relativização do surto e suas consequências ao confronto com a necessidade de alterar comportamentos e efectuar mudanças no nosso dia-a-dia foi para uns quase automático enquanto que para outros um processo de consciencialização a passo e passo.


Face ao cenário de incerteza que enfrentamos e a experienciação de sensações de pouco controlo sobre a situação, é natural que sentimentos de preocupação e ansiedade escalem e os sinais de alarme disparem. Ainda que compreensíveis as reacções em tempos de crise, é agora momento para relembrar os recursos pessoais que todos temos, robustecer as estratégias que cada um pode utilizar com vista a uma maior capacidade de auto-regular as emoções, de resolver problemas e de manter o bem-estar. Seja por que se encontra em período de quarentena seja por que segue as orientações e medidas recomendadas pelas autoridades da Saúde de redução do contacto social optando pelo isolamento social voluntário, enquanto medidas preventivas para reduzir a probabilidade de contágio individual e colectivo, o desafio em cada dia não é nada com que a sua resiliência não consiga lidar.


Comece por planear o seu dia: estruture-o dedicando 1/3 do tempo ao trabalho ou aprendizagem, consoante for o seu caso, outro 1/3 para lazer e actividades de rotina e o restante 1/3 para descanso e dormir. Manter o mais possível os hábitos diários e tendo presente objectivos seus a alcançar, contribui para uma percepção de controlo que ajuda a reduzir a ansiedade.


Evidentemente, estar em casa 24 sobre 24 horas nestas circunstâncias traz desafios acrescidos que implicam disciplina, como por exemplo, não estar exposto a notícias constantes sobre o tema do Coronavírus nos canais informativos e redes sociais, optando antes por definir até 2 momentos em que o faz activamente, privilegiando fontes oficiais como o site da DGS; comunicar com familiares e amigos, já que a necessidade de contacto social é básica para o ser humano, contribuindo assim para a redução da ansiedade, de sentimentos de solidão ou de tédio, utilizando os meios que as tecnologias hoje possibilitam e através da activação de vínculos emocionais seguros; realizar actividades das quais retira prazer e que possibilitam o relaxamento, diversificando-as e apelando à imaginação, em particular se tem crianças ao seu cuidado, intercalando momentos individuais com outros de partilha com as pessoas com quem vive; cuidar do seu corpo, ainda que indoors, através de exercícios simples no chão, de dança e de práticas de meditação, conjugando com uma alimentação adequada; dar significado e propósito ao tempo em clausura, recordando-se em como contribui para a saúde de todos ao ser um agente de saúde publica, mantendo a confiança e a esperança em que, ainda que não saiba quando, estes tempos difíceis serão ultrapassados à semelhança de outras situações adversas do passado que superou. Afinal de contas, cada um de nós encerra em si milhares de anos de aprendizagens que foram vitais para a nossa espécie.


Estamos todos convocados.


Artigo originalmente publicado no Observador

Teresa Espassandim

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicologia da Educação, Psicoterapia e Psicologia Vocacional e do Desenvolvimento da Carreira


© 2018 por Teresa Espassandim

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